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O Senhor de Claudine

De cima viu o mar e pensou estar respirando a brisa, desejou estar na baía branca, junto com os golfinhos ou catando conchas na praia. Agradeceu o café que a comissária lhe oferecia, sorveu cada gole com ansiedade, tinha ganas de chegar. Se pudesse saltava ali mesmo. O avião sobrevoava a ilha como se fosse para ela, era como um presente. Viu as enseadas, a areia branca, o morro de pedra, Anhatomirim – a ilha mágica –, viu o traçado da Baía Norte, o caminho para o paraíso particular. Abraçou Antonio que a esperava no desembarque, seu amigo. Antonio que contava histórias e ensinou-lhe pescar. Ficou feliz ao ver o olhar bondoso e o sorriso estampado no rosto queimado pelo sol. Era o homem de confiança Dele, do Senhor. Ainda era um homem bonito e agora ela entendia porque Claudine varava noites no quarto dele. Fechou os olhos. Podia até ouvir os gemidos de Claudine, nas madrugadas, quando perdia o sono, quando Ele não estava em casa. Não eram gemidos, eram uivos. Uma noite acordou chorando, Ele não estava, tinha ido pescar no Xingu. Procurou Claudine pela casa e não a achou. Atravessou o corredor, desceu as escadas no escuro, estava descalça, vestia só a camisola de cambraia muito fina. Ouviu os lamentos e os soluços de Claudine. Foi até a cocheira e, pela fresta da pesada porta, viu o corpo nu de Claudine. Ela estava de pé, de costas para Antonio, virada para a parede. Os cabelos caíam pelas costas, as nádegas estavam empinadas, estava completamente nua. Os seios arfavam na parede fria. Os braços estavam erguidos, os pulsos presos por correias. Antonio estava na sua frente nu e rijo, gotas de suor escorriam pelas costas dele. A mão forte penetrava a vagina de Claudine com vigor, e a boca sugava com ânsia a língua e os seios. Na mão esquerda, Antonio segurava um pequeno chicote e, depois de cada beijo, de cada mordida, depois que as bocas se sugavam fazendo Claudine gemer mais alto ele, com severidade, vibrava as cerdas no corpo suado que possuía com fúria. A dor de Claudine, era dela também. Via isto desde menina, desde criança, desde que chegara. Queria sofrer por Claudine. Claudine, a nativa que falava francês que veio do Caribe para lhe cuidar. No fundo, sabia que a moça gostava daquela doce tortura, ela sabia que depois do suplício ele a soltava das correias, acariciava seu corpo com a língua, e a penetrava até o amanhecer. Quase gritou ao ver Antonio lambendo Claudine por trás. Ela estava de quatro, as nádegas empinadas, a vulva avermelhada e úmida estava aberta e a língua dele explorava, demoradamente, cada centímetro da carne exposta. Antonio a penetrava com os dedos e com a língua. Por vezes, Claudine se agarrava no cercado como se fosse sair do chão. O corpo quase se erguia, a cada estocada de língua. Os uivos de dor se transformavam em pequenos gemidos aflitos. Por detrás da porta, ela suava só de ver a cena. O coração saltava, sentia um calor no meio das coxas, estava tonta. O corpo trêmulo fazia com que se tocasse por cima da calcinha. Caiu de joelhos e cobriu a boca para não gritar. Antonio penetrava a vulva de Claudine, sem pena, tocava-lhe útero certamente, falava coisas, apertava a cintura delgada a cada estocada. Assim, ajoelhada no chão, podia ver a vulva molhada e o ânus de Claudine se abrindo e se fechando a cada arremetida. A freada a trouxe de volta para a realidade. Viu que a ilha mudou bastante depois que partiu. Pediu para Antonio que fosse pelo sul, queria ver as rendeiras, a Estrada do Rio Vermelho, os casarios açorianos, a mata que ainda restava. Onde Ele estaria agora? Viu os abricós, os sombreiros, os cajueiros, buganvilhas floridas, as enseadas – os mimos saltavam por toda ilha –, era um festival de luz que adorava. As cores e o exotismo da ilha nunca lhe saíram da memória. O carro rumou pela ``selva´´, assim que chamava, a selva que ela habitou, no imaginário infantil, com fictícios bichos do Xingu. Chegaram. Pediu para descer no pórtico, estava em casa, na placa dizia: ``Refúgio Camille´´. O coração bateu mais forte. Tirou os sapatos e deixou-os na grama, Ele detestava quando ela fazia isto, sempre era castigada. O sol queimava, o vento da tarde estava morno, sentiu o cheiro do mar, o corpo se amolecia. Aos poucos foi se despojando de tudo. Tirou o casaco, a blusa, a saia, a bolsa, o sutiã, as meias - traçou um caminho de roupas pela casa, agora nem se importava em ser castigada... Notou que pouca coisa mudara. O seu canto com os brinquedos, perto da lareira, continuava ali. Viu as bonecas, o jogo de chá, a panelinhas, a casa das bonecas ... era bom estar de volta. Perto da lareira, o recanto náutico dele, as bebidas, alguns livros. Lembrou da primeira surra que levou quando quebrou o sextante que Ele trouxe de Portugal. Ela tinha só 12 anos. Ele a deitou sobre as pernas, abaixou a calcinha e bateu até perder a força, depois beijou-a ternamente, passou a língua nos lábios molhados, secou-lhe as lágrimas com a língua e levou-a para o quarto. Quando ela chorava, Claudine sumia na noite. Dormiu soluçando nos braços dele, quando acordou Ele não estava mais. Subiu as escadas, o quarto de Claudine estava vazio, sobre a cama jazia o escaravelho egípcio que ela usava no pescoço; um amuleto, uma linda peça de turquesa e ouro. Vestiu a bata indiana bordada à mão. Agora era como Claudine, queria ser ela, tinham quase o mesmo corpo, a diferença estava na cor da pele, no cabelo. Os seios de Claudine eram bem maiores, as coxas eram mais grossas, a cintura mais fina, as nádegas mais salientes. Sentiu o cheiro de Claudine ela tinha cheiro de mar. Quase ouviu sua voz cantando em dialeto. Não chorou. Entrou no quarto, deitou na cama e seu corpo tremeu. Cheirou o travesseiro, sorveu todo o ar que pôde; o suor escorria pela testa. Tirou a roupa indiana e ficou nua na cama. Desejou tudo, queria que Ele estivesse ali, queria poder gemer no ouvido dele, estava molhada, quente, os seios duros, queria... Desceu em direção à praia. Cruzou a pequena reserva de mata, foi pelas pedras. O mar agora era todo azul, quis beber todo, pisar na areia, se sujar, esquecer a floresta gelada e sem sol que vira por cinco anos. Entrou aos poucos, nem tirou a bata. Viu os cardumezinhos, entrou vestida, pisou nas conchas, mergulhou e veio à tona. Pela primeira vez neste tempo todo chorou...sentou no pequeno rochedo que se formara perto da enseada e viu Curumim, o golfinho que tinha uma marca na nadadeira. Voltou para a praia, o vestido fino grudava no corpo, os seios estavam arrepiados, os bicos dos seios saltavam pelo tecido. Gostava de estar assim. Caminhou até o ``refúgio´´, ali ele sentava para escrever, para ler, ali ele organizava a vida, planejava as viagens, o trabalho. Viu a espreguiçadeira, a ararinha-azul estava pousada no galho do sombreiro, a ilha se cobria de amendoeiras. Havia um livro no chão e uma garrafa de vinho chileno. O coração batia mais, os pés quase não tocavam a areia, a história estava se repetindo. Chegou mais perto, ele dormia. Tocou de leve os olhos, acariciou-lhe as têmporas, onde relampeavam cabelos brancos, tocou-lhe a boca. Deitou sobre o corpo moreno dele e ficou na sua boca, brincou com a língua. Gemia devagarinho e sugava-lhe a língua, beijou-lhe a orelha. Não falava, falar seria perder tempo, agora beijava-o com intensamente, com a fome, mordia, sugava. Sentiu o corpo dele enrijecer-se. O pênis duro estava quente nas coxas úmidas. Aos poucos as mãos fortes percorreram suas costas, os cabelos, as nádegas, a bata indiana foi rasgada. Ela abriu as pernas sem tirar o corpo do dele, sentiu os dedos penetrando-lhe as nádegas. Gostava disto, queria ... A mão bateu forte nas nádegas fazendo-a tremer. Abriu-lhe o ânus estocando com carinho, mas firmemente. Passou o dedo nos lábios dela para que sugasse e o molhasse com saliva. Ela gemia alto, se esfregava, soluçava, era um cio ... Penetrou-lhe mais fundo com os dedos fazendo-a gemer. Agora ela balia como Claudine, delirava. Os dedos dele enterravam-se na vulva úmida. Estava muito molhada, quente, pulsava. Os seios se esfregavam no peito dele, os pés se tocavam. O pênis duro tocava-lhe as coxas, a barriga, ela se abria mais. O pênis endurecido procurava uma forma de se introduzir na gruta quente e úmida. As bocas se tocaram, as línguas se enrolaram, estava nua sobre ele, arfava. Escorregou para cima e cavalgou a língua do seu Senhor. Passou a vulva rosada pelos lábios dele, sentiu que a língua se introduzia aos poucos, estremeceu, gozou e chorou assim. A boca a sorvia, explorava cada milímetro, arrancava-lhe o fôlego. Enquanto sugava o clitóris tenro, acariciava-lhe as coxas que lhes roçavam a face. Sugou demoradamente cada seio, chupava os bicos, cravou-lhe os dentes. O corpo dela ondulava sobre ele. As mãos tenazes apertaram-lhe os seios fazendo com que o corpo dela se lançasse ao chão. Montou nela, enterrou-se demoradamente, fazendo com que sentisse toda a dor, a dor do mundo, a dor de ser amada, a dor de quem serve, de quem ama, de quem sai e volta, de quem perde e resgata, a dor abissal ... Foi se dando, se entregando, se abrindo, sendo dele o brinquedo. A ararinha-azul gritou quando ele a penetrou mais forte; alçou vôo e sumiu, era como Claudine. O grito dele dilacerou o silêncio da tarde. Quando a boca macia o tocou ele não quis que a noite viesse nem que o dia raiasse. Ela sugou-lhe o sexo duro quente, sussurrava seu nome: - Senhor!, mais, mais... Tocou-o com a língua, com as mãos. Ele tinha o mesmo gosto de mar e ela precisava matar a sede, tinha toda a sede, a sede dos náufragos, a sede que matava aos poucos... Cerrou os olhos, enrijeceu o corpo, tremeu ao derramar-se nela ... a torrente de esperma quente tocou-lhe as entranhas e a alma, rolaram na areia, nem viram que não era mais dia.