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Boris
Quando percebi sua raiva, era tarde. Já tinha levado dois tapas, sonoros, e tentava me esquivar de apanhar mais, escondendo o rosto entre os braços. Atônito, não compendia o porque da reação dele. Como não tinha me dito nada, eu fiz aquilo inocentemente, sem imaginar a intenção dele.. Percebi depois que ele havia me acenado com nossas dificuldades, e da necessidade de arranjar algum dinheiro, fosse como fosse. Mas deixa te contar como foi. Naquela época eu morava na casa que ocupo até hoje, você sabe, sempre gostei de casa. Ele morava num apartamento num bloco residencial perto dai, e as vezes eu dormia lá.
Uma noite dessas, apareceu um vizinho, um tal de Boris, homem grande, corpulento, que quando abri a porta, me sorriu e pediu para falar com ele. Conversaram um tempo.. em voz baixa, na ante-sala. Eu estava na cozinha, e quando voltei para sala, Boris já tinha ido. Ele estava mais alegre, e me disse que as coisas estavam melhorando. Dias depois, ele me chamou a tardezinha, e subimos no apartamento do tal Boris. Enquanto esperávamos, meu homem me disse que fizesse companhia ao amigo, que ele logo voltaria, cumprimentou o Boris e desceu. Imaginei que fosse no apartamento dele buscar algo que esquecera, e entrei no apartamento do Boris. Era bem espaçoso, e muito bem decorado. Um sofá enorme ficava em frente a grande janela, pela qual penetrava o vermelho do sol se pondo. Na sala inteira uma luz estranha desfocava os objetos, criando uma atmosfera irreal. Sorrindo, Boris me conduziu pelo braço até a janela, e , sempre sorrindo, me perguntou se gostava. Respondi que achava lindo, e que ele tinha muita sorte em gozar de um espetáculo desse todas as noites. Sempre sorrindo, ele me falou que raramente assistia a isso, mas que hoje era um dia especial, e por isso.. sem dizer mais nada, e sem parar de sorrir, encostou a mão no meu rosto e me acariciou. Eu fique assim, sorrindo, sem falar nada, surpreso por aquela caricia inesperada. Sem dizer nada, sempre sorrindo, ele levou a mão ate meu seio, segurando a ponta. Fiquei sem ação um instante, e foi o suficiente para que ele, sempre sorrindo, a apertasse com força, me olhando fixamente. Tentei recuar, mas estava num canto entre uma cadeira e a parede, sem espaço para me mexer. Ele havia parado de sorrir e, ao ver minha expressão de dor, segurou o outro seio, apertando com violência enquanto sussurrava: Geme, putinha, geme.. Me afastei com um safanão, derrubando a cadeira, e recuei para o centro da sala, sem saber o que fazer. Ele falou rapidamente: Me disseram que você era dócil, mas parece que vou ter que te ensinar o teu lugar.. Vem aqui... Como eu não me mexia, paralisado pela surpresa, moveu-se em minha direção, passando por cima da cadeira derrubada com uma agilidade inesperada pelo tamanho dele. Antes que eu pudesse fazer um gesto sequer, me segurou pelos cabelos, trazendo-me para junto dele. Encostou seu rosto no meu, e baixinho falou: Você me foi dado, e eu te quero.. Sem fôlego, tentei responder, mas sua presença me intimidava parecendo me subjugar, envolvendo-me em seus braços, procurando minha boca com a sua, sem deixar margem a uma recusa.
Sua mão penetrou na minha camisa, arrebentando os botões. Outra conduziu a minha até seu sexo, duro e vibrante. Estava sendo forçado a submeter-me a seus desejos, agora abertamente, e eu tentava resistir fracamente, pois meu pensamento estava confuso, apavorado com a idéia que meu homem de repente voltasse e imaginasse uma situação que não procurara, e estava sendo forçado a aceitar. Em desespero, empurrei Boris para trás, meio dizendo, meio implorando:para..para Ele recuou e riu. Bom.. bom.. falou, agora chega mais, vem mais perto, sem frescura.. vou pagar um bom dinheiro para você, e quero desfrutar até o ultimo centavo.. Quando falou em pagar, uma onda de violenta revolta me agitou, e recobrei as forças. Com um empurrão o afastei e corri para fora do apartamento. Meio atordoado, desci as escadas correndo, até o apartamento do meu homem. Quando ele me viu entrar todo agitado, camisa aberta, rosto afogueado, imediatamente percebeu que algo tinha dado errado. Perguntou-me e balbuciei algumas palavras, o suficiente para ele entender, e ficar furioso. Foi ali que me bateu. Com força... para me machucar. Disse que estávamos sem dinheiro para nada, e que ele tinha se esforçado para arranjar esse encontro, que aliviaria nossas preocupações durante um bom tempo. Que teria ido ele, mas o Boris queria a mim. Eu quis argumentar, mas ele zangou mais ainda. Você não sabe que é meu e que vou fazer de você o que eu quiser? Retruquei dizendo que era dele e dele aceitaria qualquer coisa.. mas de um estranho.. e por dinheiro?.. Novamente me bateu, ignorando meus protestos.. só parou quando percebeu que eu não estava agüentando, e faria o que ele quisesse.. Pegou o telefone e me disse, olhando severamente: Vou ligar para o Boris, e você vai fazer tudo que ele quiser, sem discussão. Com aplicação.. fui claro?
Ele nem imaginava quanto tinha sido.. de joelhos no chão, concordei sem falar.. Enquanto meu homem telefonava para o Boris, fique chorando silenciosamente. Finalmente o Boris concordou em vir, depois de tergiversar muito. Mas quis que meu homem estivesse presente, para evitar qualquer relutância minha. Eu disse que seria mais difícil assim para mim, mas ele cortou secamente minhas argumentações, dizendo que não era hora de recriminações. E disse mais. Que gostaria de me ver, para avaliar meu comportamento.. Sabia que Boris judiaria ainda mais de mim, e que eu tinha merecido isso, e que tratasse de me acostumar, pois não seria somente essa vez.
Tentei reclamar. O que ele estava dizendo era que me prostituiria e que eu devia aceitar isso. Não concordava, nem concordaria nunca. Poderia até tentar essa vez, mas certamente não haveria outra. Ele nem respondeu. A campainha tocou, e ele foi abrir. Eu continuava de joelhos, e foi com um gesto que ele me indicou ao Boris. Ele mal entrou me segurou pelos cabelos erguendo-me do chão, perguntando se agora estava pronto. Todas as minhas duvidas tiveram que ser deixadas de lado, e respondi que sim, olhando para meu homem sentado numa cadeira num canto. Ele observava com destacado interesse, como se a coisa não o afetasse. Boris não perdeu tempo. Mandou que tirasse a camisa e, mesmo antes que terminasse, me abraçou firmemente mordendo meus seios com força. Gemi de dor, e isso pareceu excita-lo ainda mais. Olhei desesperado para meu homem, que sorriu para mim. Aquilo teve um efeito estranho. Comecei a pensar que ele queria aquilo, mais pelo prazer dele que pelo dinheiro. Devia me entregar mais, mais totalmente, pondo algo de meu, para agradar meu homem. Boris nem percebeu a mudança. Continuava me mordendo, me apertando, me segurando, para me ouvir gemer. Agora estava me forçando a ajoelhar-me na frente dele. Logo estava nu, encostando o sexo latejante em meu rosto.
Com os olhos fixos no meu homem, segurei com a mão, enquanto passava a língua, na ponta quente e úmida. Meu homem sorriu, e aquilo me deixou possesso. Enfiei na boca com tudo, chupando voluptuosamente, tirando e pondo, querendo mais, quase sem respirar, lambendo e chupando sem parar. Agora quem estava gemendo era o Boris, que logo quis tirar o resto de minha roupa, para me penetrar. Nem deu tempo. Minha boca não largava seu sexo intumescido, até que um jorro de prazer consumiu o fogo que nos animava, deixando-o sem fôlego. Mas quem não estava satisfeito era eu. Continuei me apertando a seu corpo relaxado, até ele me empurrar para o lado, dizendo que parasse. Que outra vez teria o que estava querendo agora, e que não estava mais com vontade. Olhei para meu homem, que estava se aproximando. Seu olhar frio me deixou apavorado e confuso. Será que tinha exagerado, que não era aquilo que ele queria? Ele ignorou o sorriso embaraçado que lhe dirigi, e ajudou o Boris a se vestir, enquanto me acenava para que ficasse como estava. Os dois falaram um pouco na saleta, e não pude ouvir o teor da conversa, e logo Boris se foi. A porta fechou e meu homem voltou. Com indiferença jogou um montinho de notas na mesinha. Com calma, tirou a camisa e desafivelou o cinto. Friamente começou a me chicotear. Enquanto batia, dizia que eu tinha me empenhado demais. Que eu tinha gostado daquilo tudo, e que não era para ser assim. Que a ele, e só a ele, estava reservado o prazer. Que eu tinha que me submeter com aplicação, não com o transporte que demonstrara. Eu gemia e me torcia sob aquele castigo impiedoso, sem forças para fugir. De repente parou de me bater, e o senti ofegante, me abraçar por traz. Logo estava me possuindo, forçando minha entrega. Nem tentei resistir. Nem havia porque, pois era meu homem e me queria. Ambos gozamos abraçados, e assim ficamos muito tempo, sem conseguirmos nos mexer. Quando enfim nos voltamos a raciocinar, ele me beijou ternamente. Eu estava totalmente confuso, mas não fique perguntando. Meu homem me queria e isso era o que bastava. Pelo menos por enquanto. A maneira com a qual disporia de mim no futuro não interessava, nem era uma preocupação que me dizia respeito. Seria da forma que ele quisesse. Cada vez com receios e vergonhas menos acentuadas, pois já teria passado por isso antes. Pelo menos, era assim que pensava, quando dele me despedi, o corpo dolorido, mas meu desejo saciado, e feliz por tê-lo servido. Que realmente era a essência de nosso relacionamento. Eu só queria servi-lo. Agrada-lo. Ama-lo. Só isso já teria me bastado. Teria deixado de lado meu prazer, meu corpo reclamando pelo desejo insatisfeito, minha mente se rebelando as exigências descabidas dele, se somente tivesse me feito sentir, como daquela vez, que o satisfazia. Só queria que me visse, me sentisse, como um ser vivo, e não um enfeite em sua coroa. Aceitaria me prostituir com alegria, como fiz mais que uma vez, se depois ele tivesse me olhado, só olhado como algo que lhe pertencia, e que apreciava. Não aquele olhar indiferente como agora costumava ser, esse cansaço com minha presença, esse me relegar a um canto como um objeto que não se sabe onde por. Por isso o matei. Teria morrido por ele, se tivesse me pedido. Da mesma forma como o matei. Com paixão. E não foi um gesto impensado, um ataque de ciumeira. Não se pode ter ciúme de um Deus. Pois era isso que ele representava para mim. Ele tudo podia e eu tudo aceitaria. Menos o descaso. Menos o abandono. Menos a indiferença.