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A Iniciação de Ângela
Após a morte de sua mãe, Ângela foi colocada pelo pai num famoso colégio de religiosas, em regime de internato, já que seu trabalho exigia constantes viagens, não podendo, assim, cuidar da educação da filha e dar a atenção que uma menina de onze anos exigia. Foram longos seis anos entre as freiras, com poucas e curtas saídas, que fizeram da aluna uma moça educada e, sobretudo, dócil. Ao término de seus estudos, ela foi habitar o grande apartamento onde vivera na infância, praticamente só, pois seu pai fixara-se em São Paulo, onde mantinha uma nova relação amorosa e quase não vinha ao Rio. É de salientar que foi a própria filha que decidiu permanecer no Rio, recusando-se a residir em São Paulo, onde estava a grande parte de sua família. É que desejava permanecer no apartamento que tão boas recordações lhe dava. Mas, o pai providenciara uma vida de conforto material para a filha, tanto que, ao chegar a sua moradia, ela dispunha de uma cozinheira e de uma arrumadeira, esta desempenhando o papel de governanta, contratada com a intenção de fazer companhia a Ângela. Era uma negra cheia de corpo, cabelos esticados para trás e presos num coque, lábios bem grossos, com uma aparência saudável e fisionomia extremamente séria. Chamava-se Madalena e devia estar próxima dos quarenta anos. Talvez este seu aspecto de pessoa fechada, um tanto ríspida e autoritária, tenha sido importante quando foi escolhida pelo pai de Ângela para o desempenho das funções domésticas que lhe foram assinaladas.
Ângela, nos seus dezessete anos, era uma moça bela. Possuía uma pele muito branca, longos cabelos louros, um corpo esguio de formas bem delineadas, lábios sensuais e carnudos. Sua figura chamava atenção. Ela, nos inícios de sua nova vida, tinha um cotidiano absolutamente tranqüilo: ia à praia, quase sempre acompanhada de duas amigas, antigas colegas de curso primário, fazia um curso de inglês para treinar a conversação, algumas vezes ia ao cinema e, invariavelmente, assistia à televisão até tarde da noite. Ficava muito em casa e tinha a companhia de Madalena, pois as tarefas da empregada eram escassas. A administração da casa era fácil, e o pai depositava no começo de cada mês o suficiente para a filha pagar todas as despesas domésticas. A mesada pessoal de Ângela era bem grande, permitindo uma vida sem qualquer preocupação. Podia atualizar constantemente o seu guarda-roupa, pagar cinemas e teatros para as amigas e, muitas vezes, oferecer almoços e jantares... Depois de algum tempo, o controle do dinheiro da casa foi deixado com Madalena, que se tornou a verdadeira administradora doméstica. Um dos atos da nova administradora foi a despedida da cozinheira, sob a alegação de que seria mais prático encomendar as refeições nos restaurantes próximos ou, então, irem as duas aos próprios restaurantes, o que seria mais prático ainda e se constituiria numa oportunidade de distração para ela, Madalena, que ficava muito presa em casa.
O relacionamento entre Ângela e Madalena sofreu rápidas transformações, sempre por iniciativa desta. Desde o começo, a moça acostumara-se a convidar a empregada para assistir com ela à televisão, numa pequena sala onde havia uma confortável poltrona com uma banqueta para descansar as pernas e mais três cadeiras estofadas, mas não tão confortáveis. Sem qualquer cerimônia, Madalena apropriou-se da poltrona, como se o melhor lugar devesse lhe pertencer. Até mesmos os programas eram escolhidos por ela, contrariando muitas vezes as sugestões de Ângela. A presença das duas únicas amigas de Ângela desgostavam a empregada, que já as recebia de cara fechada, até o dia em que comunicou a sua determinação: ``Não quero mais as suas amigas aqui. Não gosto delas´´. A partir desse dia, a moça separou-se das amigas e a autoritária empregada passou a ser sua única companheira de praia, cinemas e restaurantes. Os serviços da casa foram divididos entre as duas. A empregada mandava e a patroa obedecia. Até mesmo a mesada era dividida com Madalena; Ângela comprava-lhe roupas finas, calçados caros, dava-lhe todos os tipos de presentes. Madalena, por sua vez, apreciava ver a companheira com vestidos que destacassem suas belas formas, que revelassem seus lindos seios; obrigava-a a usar tangas ínfimas, quando iam à praia. Gostava de exibir a moça e se comprazia ao surpreender os olhares cobiçosos dirigidos ao jovem corpo e os sussurros a respeito do contraste que faziam. Patroa e empregada estavam cada vez mais unidas. Ângela fazia tudo para agradar sua amiga, procurava sondar os seus desejos, a fim de satisfazê-los e captar a aprovação no rosto da outra. Havia nela a preocupação constante de cercar a governanta de cuidados, de delicadezas. Queria sempre demonstrar o seu enorme carinho e o quanto era importante estar acompanhada por ela. Madalena aceitava todas aquelas homenagens da maneira mais natural; não fazia qualquer cerimônia em revelar o que queria receber, não agradecia nada e estimulava o comportamento servil de Ângela. Sentia imenso prazer em constatar a dependência crescente daquela jovem bela e rica com relação a ela. Porém, a grande transformação no relacionamento entre as duas processou-se, rapidamente, em apenas três dias. Foi a iniciação de Ângela, que vinha sendo preparada há muito por sua empregada.
Numa noite em que assistiam à televisão, Madalena instalada em sua poltrona, com as pernas estendidas sobre a banqueta, o vestido levantado até o meio das coxas, e Ângela sentada no chão sobre uma almofada, com o ombro encostado na poltrona, passou-se algo que marcou definitivamente a vida da moça, provocando-lhe uma violenta e inesquecível emoção. Madalena, com a maior tranqüilidade, absolutamente senhora de si, num tom imperativo que eliminava qualquer possibilidade de recusa, dirigiu-se a Ângela, dizendo: ``Tire os meus sapatos e dê uma massagem nos meus pés´´. E observando um certo espanto e uma tímida relutância na outra, insistiu mais categoricamente: ``Ande logo, massageie meus pés´´. Então, docilmente, Ângela aproximou-se mais da banqueta, tirou os sapatos de sua imperiosa companheira e, usando as duas mãos, iniciou a massagem comandada, uma quase carícia, percorrendo o peito dos pés, os dedos, as solas e os calcanhares. Fez-se silêncio entre as duas e as mãos da loura cada vez se concentravam mais nos pés grandes e ásperos que exigiam seus cuidados. Ambas estavam conscientes do grande significado daquele momento e de que algo de novo estava começando. Ângela estava absolutamente feliz, envolvida num relacionamento diferente, misterioso, sem sentir o tempo passar, numa atmosfera de pura magia. Neste estado, ouviu as outras palavras de Madalena, que estava quase deitada na poltrona: ``Adoro isso. Vou querer que faça todos os dias. Eu sei que você está gostando de fazer. Continue´´. Aí, sempre segurando os pés que lhe eram oferecidos, Ângela deu-se conta de que sentia um enorme prazer em tal situação. Ela era a submissa, a obediente, a que recebia ordens e as cumpria, e aquela negra ali era a sua dona. Tinha, agora, a certeza de que era isso que sempre quisera e não sabia. A dona, para evidenciar como tudo se passaria entre elas daí em diante, estendeu um pé até os lábios carnudos e róseos da iniciante, tocou-os e entreabriu-os com os grossos dedos que penetraram a boca, procurando a doçura da língua. Logo, o outro pé substituiu o primeiro e a suave língua lhe proporcionou as mesmas sensações. Uma nova ordem: ``Lamba bem as solas com a boca molhadinha´´. O tempo se passou imperceptível. Madalena retirou seus pés do alcance da boca ansiosa e mandou que Ângela a calçasse de novo. Levantou-se da poltrona e falou: ``Agora você já sabe como as coisas vão ser. Amanhã vai saber mais. Gostou do que fiz? Quer ir adiante?´´ A resposta da outra revelou uma entrega total, uma confissão completa de que se submeteria a tudo, de que se anularia diante do império que experimentava. Madalena apenas completou, dizendo que já sabia, desde que a conhecera, que as coisas iriam acontecer deste modo e que tinha certeza de que Ângela seria muito feliz com ela.
No dia seguinte, as duas foram à praia e Madalena escolheu um ponto bem movimentado. Ângela preparou a barraca, estendeu as toalhas para se deitarem e, ajoelhada na areia, tirou as sandálias e a canga de sua companheira. Com um sorriso discreto, Madalena comunicou sua aprovação àquele comportamento da moça, sobretudo porque todos em volta puderam notar a servilidade que era evidenciada. Era importante que Ângela gostasse de demonstrar para os outros a sua submissão a ela. A lição já tinha sido aprendida.
Ao voltarem da praia, pela primeira vez, Madalena usou o banheiro privativo de Ângela. Almoçaram num restaurante próximo e foram a um cinema. A moça estava ansiosa pelo que poderia acontecer naquele dia; seu coração batia mais forte, esperando que a vontade da empregada se manifestasse. O cinema estava cheio, mas tiveram a sorte de conseguir dois bons lugares no centro da platéia. Algum tempo depois de iniciado o filme, Madalena cruzou as pernas e fez um sinal com o dedo indicador; logo, a outra compreendeu que era para segurar seu pé. Mesmo olhada pelos que estavam próximos, o pé foi acariciado, até que a ordem tão aguardada foi cochichada à sua orelha: ``Vamos embora para casa. Eu quero começar logo´´. A pequena distância até o apartamento foi sentida pela menina como um caminho interminável. Sua ansiedade aumentava; queria estar logo encerrada com sua dona.
Em casa, foram direto para o quarto e Ângela recebeu a ordem de ficar nua. Madalena apenas tirou a saia, acomodou-se na beira da cama, fez com que a outra se aproximasse e contemplou, longamente, o maravilhoso corpo nu à sua inteira disposição. Tocou os seios, com a ponta dos dedos; sua mão desceu, alisando sempre aquelas tenras carnes, até alcançar as coxas e as nádegas. A governanta sabia, antecipadamente, que poderia fazer o que bem quisesse com aquele corpo. Ao acariciá-lo, acariciava uma propriedade sua: as duas sabiam disso. Então, fez com que a lourinha se sentasse no chão, à sua frente. Esta, já ia segurar seus pés para tirar as sandálias, quando foi corrigida: ``Agora, não quero tirar as sandálias. Quero que você lamba meus pés calçados. Lamba as solas das sandálias´´. Ângela, obedientemente, cumpriu a ordem com grande excitação. A um novo comando, estirou-se no chão e foi pisada por sua dona. As solas da sandália tocaram-lhe os seios, a barriga, o rosto e os lábios entreabertos. Novamente, a voz de Madalena se fez ouvir: ``Você é meu tapete e eu estou limpando as solas de minha sandália em seu corpo, e você gosta´´. As duas mulheres viviam um momento de grande excitação, cada uma vivenciando um papel intimamente ligado à sua natureza profunda. O prazer que ambas usufruíam era decorrente do acordo daquilo que faziam com o que eram, no mais profundo de seu ser. A dominadora dominava e a submissa deixava-se submeter: cada uma assumia sem subterfúgios às suas preferências ditadas pela sua intimidade. As palavras de Madalena eram diretas, sem rodeios, procurando destacar os diferentes papeis na relação entre elas: tinham um caráter pedagógico, pois delineavam a personalidade da menina, formavam a sua consciência, ao evidenciar o seu caráter escravo, e ajudavam a que ela se assumisse, por inteiro, tal como era. Tudo isto estava implícito nestas outras palavras: ``Agora, sim, minha queridinha. Eu vou deitar e você vai tirar as minhas sandálias e lamber meus pés bem gostoso, com esta língua macia, tal como fez ontem´´. Ela deitou-se na cama, completamente, à vontade e, durante um largo tempo, Ângela permaneceu com a boca nos pés sequiosos de sua mestra. Quando esta saiu do delicioso torpor a que se entregara enquanto recebia nos pés os favores da boca amorosa, manifestou vontade de ir ao banheiro para urinar. Dirigiu-se ao banheiro do quarto, retirou a calcinha que ainda vestia e chamou a companheira, transmitindo-lhe uma falsa dificuldade: ``O que é que eu gostaria de fazer? O que é que você deveria gostar que eu fizesse?´´ Isto foi dito enquanto encarava a outra com um olhar fixo e sério. Então, Ângela abaixou-se, ajoelhou-se no chão do banheiro, curvou-se para trás, até apoiar a nuca na borda do vaso sanitário e, numa voz suave, pediu: ``Urine em minha boca, por favor´´. A negra, de pé, tomou posição, abriu as pernas sobre a boca que se escancarava e dirigiu o jato de urina ao seu interior, que foi recebido como uma dádiva. A dádiva dourada inundou o delicado receptáculo e foi, inteiramente, bebida. A presenteada sentiu um enorme prazer inundando-a. Terminado o ato, delicadamente, sua língua apossou-se das gotas que ainda restaram presas nos cabelos pretos da vagina de sua dona, pois era tudo muito precioso para ser perdido. Madalena, satisfeita com toda aquela docilidade, contemplou o rosto molhado por sua urina, os longos cabelos louros empapados, e sorriu: ``Como você deve ter sonhado com este momento... A partir de hoje, pelo menos uma vez por dia, você beberá a minha urina. Levante a cabeça para eu acariciar seu rostinho´´. Quando, ainda ajoelhada, ela levantou a cabeça que estava apoiada no vaso, recebeu uma seqüência de bofetadas. Com o rosto queimando, puxada pelos cabelos, foi levada para o quarto e colocada, novamente, de joelhos diante da cama. Sua dona sentou-se, tomou uma de suas sandálias e falou: ``Estou com vontade de continuar a bater em você. Mas, não quero machucar minhas mãos. Posso lhe bater com a sola de minha sandália? Você quer apanhar na cara e nestes peitinhos?´´ A resposta foi lida no olhar da menina, que foi violentamente espancada. Enquanto os golpes se sucediam, ora no rosto, ora nos seios, eles se faziam acompanhar de palavras grosseiras e obscenas, o que provocava enorme prazer, tanto na ofensora como na ofendida. Os golpes violentos e as palavras impudicas suscitaram uma desmesurada excitação em Ângela, de ordem até então desconhecida por ela. Mesmo a dissoluta dominadora, experiente no trato com naturezas submissas, era tomada por uma imensa emoção libidinosa. Seus olhos fixos em sua dominada acompanhavam toda a exteriorização de gozo que aflorava naquele rosto jovem e formoso, o que lhe acrescia o prazer e lhe dava uma suprema alegria: a alegria de sentir-se rainha. Quando, quer por cansaço, quer por satisfação, suspendeu as pancadas, via, claramente, a felicidade lasciva que provocara na outra, e se deliciava com a certeza de que encontrara uma nova parceira que tinha muito o que lhe oferecer, já totalmente submetida à sua pessoa. Sabia que não iria encontrar qualquer resistência para impor suas preferência viciosas. E com esta convicção, pôde dizer: ``Agora você sabe o quanto precisa de mim. Daqui em diante, a patroa sou eu. Você sabe que é minha escrava. Escrava mesmo, apesar de todo este rosto lindo, destes cabelos louros e destes olhos azuis; apesar de ser rica. Você é minha e tudo o que tem é meu. Para o meu prazer, eu posso fazer com você o que quiser. Você vai aceitar tudo, vai querer sempre me satisfazer e vai gozar muito quando eu lhe maltratar, como gozou ainda há pouco. Você precisa de mim para gozar, pois precisa de alguém que a domine. Você está apaixonada por mim e assim vai continuar. Sua dependência será a cada dia maior. Você é inferior e não escapará disso. E nunca se livrará do meu domínio, pois fui eu que mostrei quem é você. Tome nota do que digo : não faça nada sem o meu consentimento. Espere o meu consentimento, até mesmo, para gozar e para me fazer gozar. Acostume-se a aguardar as minhas ordens. Eu não preciso dizer para você ser obediente, pois sei que é. É importante que você esteja sempre disponível para mim e para quem eu quiser. Você irá conhecer outras pessoas como eu e eu irei lhe emprestar a elas. Guarde bem minhas palavras´´.
O rosto e os seios de Ângela tinham as marcas do castigo. O rosto estava todo vermelho, os lábios inchados, com traços de sangue, e os seios com lanhos provocados pela sola rugosa da sandália. Durante algum tempo ela não poderia se mostrar aos outros, pois era evidente que sofrera um espancamento. Madalena, cansada, adormeceu na cama, inteiramente satisfeita. Sua vítima esticou-se no chão, toda dolorida, ainda sentindo o forte sabor da urina e o inconfundível cheiro. Fechou os olhos e, com sua mão acariciando o sexo, imaginou outras delícias que poderiam vir da cruel soberana. Orgulhava-se da sua situação e gostaria de poder dizer a outros que era uma propriedade de sua amada. Antevia as ocasiões prometidas por ela em que se submeteria a tudo diante de outras pessoas e, então, mostrando-se como verdadeira escrava, suportando tudo e evidenciando prazer pelo que sofria, com certeza iria despertar a cobiça, fazendo com que invejassem sua dona , o que provocaria, calculava, grande satisfação na amada. O orgasmo veio intenso, demorado e inebriante, e ela adormeceu.
Era noite quando acordaram. Ângela levou na cama um farto lanche para sua patroa, com tudo que ela apreciava, enchendo-a antes de beijos e de promessas de fidelidade e obediência. Nada mais lhe foi infligido neste dia. Assistiram à televisão, na posição costumeira. Madalena teve seus pés acariciados e massageados, o que se tornaria um hábito, e, por vezes, oferecia suas mãos para serem beijadas. Finda a programação, a rainha levantou-se, afagou a cabeça de sua serva, dizendo: ``Por hoje, estou satisfeita. De agora em diante, vou ocupar definitivamente este quarto . Amanhã você desocupará os armários e arrumará minhas roupas. Mas, não quero que você fique no outro quarto daqui de dentro. Quero que você fique dormindo no lugar próprio das empregadas. Sempre que eu tiver vontade, você virá dormir comigo. Agora, vá para o seu novo quarto e imagine o que poderei fazer com você amanhã. Eu sei que vai custar a dormir; você está excitada. Sonhe com minha vagina e com tudo que você poderá fazer com ela. Quero que você, sozinha naquele quarto, fique se esfregando com os dedos, prolongue os orgasmos, pensando no que eu lhe fiz e no que poderei fazer. Recorde-se bem da cena do banheiro e da visão de minha vagina. Depois de um orgasmo, procure logo outro, e mais outro, e mais outro. Passe a noite gozando e vivendo a sua paixão por mim´´.
O novo cotidiano começou a se delinear no dia seguinte. A relação patroa e empregada foi, integralmente, invertida. Ângela, após uma noite mal dormida, dominada pelas lembranças do que sofrera e pelas imagens ditadas por suas fantasias e por indicações que Madalena lhe dera, ficou na expectativa, desde cedo, daquilo que sua rainha lhe iria impor. Esta expectativa a colocava num estado de constante excitação, que aumentava com o passar das horas. Sua vontade era a de implorar que Madalena se servisse logo dela, para acabar com a terrível ansiedade; mas, temia que isso a pudesse desagradar. Tinha sido avisada de que deveria aguardar sempre a manifestação da vontade de sua soberana. E a soberana sabia tudo que se passava no interior de sua menina. Tinha plena noção do formidável e doentio desassossego que provocava na outra ao demorar o início de suas práticas depravadas que completariam a iniciação. Aquela agonia que era extravasada por Ângela fazia o orgulho da mestra, orgulho pela posse total de uma mulher bela, que iria satisfazer, disso tinha absoluta certeza, todos os seus apetites mais devassos. Com aquela moça chegaria aos extremos que , até então, não realizara. Não a pouparia de nada. Mostraria toda a sua supremacia, toda a sua arrogância, todo o seu poder, toda a sua crueldade, pois amava aquela escrava como nunca amara outra . Queria, assim, demonstrar o seu desmesurado amor.
Apenas à noite é que Ângela foi chamada para o quarto. As duas se desnudaram, Madalena deitou-se na cama e ordenou que a outra beijasse todo o seu corpo. A sensual boca começou os beijos pelos pés, com todo o amor, subiu pelas pernas, sem qualquer pressa, e atingiu as volumosas coxas. Mas, as mãos da rainha esconderam a vagina, para que os beijos se dirigissem a outras partes de seu corpo. Os lábios tocaram o ventre, foram adiante, colaram-se nos bicos escuros dos magníficos seios, demorando, aí, em carícias ajudadas pelas mãos. Foram para o pescoço, orelhas, cabelos, para, finalmente, atingirem a boca. As duas se abraçaram, beijaram-se com loucura, com as línguas se esfregando uma na outra. Súbito, com um empurrão violento, a branca escrava foi deitada de costas e sua negra senhora montou em seu peito, mostrando todo o esplendor de sua enorme vagina, mantida aberta com o indicador e o polegar de cada mão, de onde surgia um grande clitóris rosado, endurecido. A vagina foi colada na boca ansiosa por recebê-la e o pequeno pênis foi sugado com devoção. A soberana gemia alto com as carícias da boca apaixonada. Eram gritos delirantes de prazer. Ângela era toda vibração, quando Madalena desnorteada grunhiu: ``Esfregue sua vagina com os dedos, minha vagabunda. Quero vê-la gozando com o meu grelo na boca. Quero que você goze comigo´´. Aplicou dois socos no rosto da escrava e retornou logo para boca que a deleitava, sempre com movimentos rápidos, comprimindo os lábios róseos da menina com todo o peso de seu corpo. Ângela, mesmo massacrada, extasiava-se sob aquela carga, e recompensava o prazer que sentia aplicando com ardor a sua língua. O orgasmo da soberana foi uma fúria desordenada, com uma violenta agitação sobre a boca sensual, socando a cabeça submetida ao seu peso, puxando os compridos cabelos louros, tudo com as mais torpes e obscenas palavras de ofensa à serva. Esta atingia, quase ao mesmo tempo, o mais alto gozo, intenso, que tomava todo o seu ser, um delicioso gozo de subjugada. Aí, a rainha deitou-se sobre a escrava, estreitou-a com força em seus braços e beijou-lhe a boca com sofreguidão. Sob o pesado corpo de sua tirana, espremida, a escrava estava absolutamente feliz, absolutamente entregue, absolutamente um objeto. Depois, Madalena se pôs ao seu lado, empurrou-a para baixo, colocou-a entre suas coxas e, puxando a bela cabeça em direção à sua vulva, indicou o que queria: ``Passe a língua bem suavemente, bem de leve. Quando minha excitação crescer, vou lhe premiar. Vou lhe bater bem gostoso. Vou machucar este corpinho delicado. Chupe sua dona com muito amor, minha escrava. Chupe, que depois vou urinar em sua boquinha. Chupe, que vou fazê-la gemer com o chicote. Se continuar boazinha, breve irei espancá-la na frente de minhas amigas, e irei emprestá-la para que castiguem você´´. À medida que sua excitação aumentava, suas palavras eram mais libidinosas e mais rudes. Quando o clitóris cresceu na boca de Ângela, a déspota toda esfogueada interrompeu as carícias e mandou a escrava apanhar um presente no fundo de uma gaveta : era um chicote de couro entrelaçado. A rainha tomou o chicote, segurou-o com as duas mãos e, com os olhos brilhando, perguntou: ``Posso surrá-la com o chicote? Eu adoraria chicoteá-la, deixar marcas em seu corpo, cortá-la. Você quer me dar este prazer? Depois, gozaremos juntas, outra vez´´. A resposta de Ângela foi uma reafirmação de sua condição de subjugada: ``Faça de mim o que tiver vontade. Você não precisa perguntar. Eu quero ser espancada por você. Pode me chicotear até ficar satisfeita. Use toda a sua força. Os escravos devem apanhar. Não tenha qualquer compaixão. Eu preciso ser castigada por você, meu amor´´. A fisionomia de Madalena se iluminou de contentamento e excitação. Era bom ouvir o que já sabia. Ela tinha plena consciência do domínio que exercia e a punição que iria aplicar consolidaria este domínio.
Ângela foi deitada de bruços, com a instrução de que apertasse bem o travesseiro contra o rosto a fim de abafar os gemidos. Madalena experimentou o chicote, fazendo-o zumbir no ar. As primeiras chicotadas foram nas nádegas; a própria algoz contou doze chicotadas, aplicadas com força crescente. Os gemidos da punida eram gritos abafados. Ao fim da décima segunda chicotada, Madalena deu um intervalo e perguntou: ``Quer que eu pare? Para mim isto é apenas o início. Eu gostaria de lhe bater muito mais. Posso continuar, sua vagabundinha? Você está gostando?´´
A escrava respondeu: ``Continue, meu amor. Bata-me com mais força. Eu a amo. Vamos, bata na sua escrava. Mostre-me que sou sua escrava´´. As chicotadas passaram a ser aplicadas nas coxas, mais doloridas, mais fortes, enquanto Ângela urrava de dor. Foram mais doze chicotadas, contadas com toda a calma. Novo descanso e novas palavras: ``Ainda não tirei sangue. Vou, agora, para as costas e quero lhe cortar com o chicote. Você vai vibrar de prazer´´. A dor tornou-se terrível, lancinante. A moça tinha a impressão de que não iria agüentar as doze chicotadas. Os golpes eram mais lentos, porém eram mais brutais. A contagem atingiu, outra vez, o fim da série. As costas da vítima queimavam e ela recebeu a informação de sua torturadora: ``Agora, estou mais satisfeita. Consegui fazer você sangrar. Quando acabar, quero que veja no espelho as marcas, os cortes e o sangue. Vou bater, agora, na frente. Vou lanhar suas coxas na frente. depois a barriguinha e , para acabar, os seios´´. Foi estendida uma toalha preta sobre a cama para não sujar o lençol de sangue. Ângela ficou de costas sobre a toalha e a contagem recomeçou. Agora, ela via o trajeto do chicote, via o prazer irradiado nos olhos de Madalena e via a força que seus fortes braços imprimiam nos golpes. Foram doze chicotadas nas coxas e doze no ventre. Apesar da impetuosidade das chicotadas, ela não mais usara o travesseiro para abafar os gemidos: conseguia prendê-los em sua boca cerrada. Contudo, quando o chicote zunindo recaiu, pela primeira vez, no seio, cortando-o, Ângela não suportou a dor e, aos prantos, pediu para parar, cruzando os braços sobre o peito, numa atitude de defesa. Implorava para que o castigo não continuasse. No entanto, já prevendo esta reação, a tirana abriu a gaveta da mesinha de cabeceira e retirou de lá a solução para o problema, dizendo: ``Eu tenho aqui o remédio para você, sua vagabundinha. Agora, eu quero ir até o fim. Estou gostando mais com esta reação...´´ Fez a menina se sentar na cama, algemou-a com os braços para trás, encheu sua boca de algodão e amordaçou-a com uma tira de pano. Os soluços foram silenciados. Então, veio o implacável aviso: ``Fique quietinha, senão vai ser pior. Eu ia dar só as doze chicotadas. Agora, vão ser vinte e quatro. Se você sair desta posição, eu dou um castigo ainda maior´´. Havia um sorriso acompanhando suas palavras. Tudo preparado, ela passou os dedos na vagina de Ângela e sentiu que estava toda molhada. Mostrando os dedos úmidos, sorriu, novamente, satisfeita. O programa foi cumprido: foram mais vinte e quatro chicotadas nos seios, alternando, ora um, ora outro. A escrava viveu a experiência limite da mais completa impotência. Tinha medo, estava aterrorizada. Via o chicote cair em seus seios, via as marcas sendo feitas, o sangue aflorando. Via a maldade e o prazer no rosto da amada. Conheceu a crueldade da dona e sentiu que outras oportunidades viriam, tão cruéis como aquela. Mas, sentiu, sobretudo, que era também amada: só um amor excessivo poderia explicar tamanha ferocidade. Em cada intervalo dos golpes, Ângela se dava conta de que estava irremediavelmente ligada àquela mulher brutal e, quando as chicotadas se aproximavam do fim, torcia para que as últimas fossem, ainda, mais impiedosas e arrancassem mais sangue.
Terminada a punição, tiradas as algemas, desatada a mordaça, novamente a mão da algoz foi à vagina de sua vítima e, mostrando os dedos molhados, falou: ``A vagabundinha está toda molhada. Não adianta chorar, porque você estava gozando com o chicote´´. Ângela , realmente, ainda chorava, mas não era bem pela dor; estava excitada, terrivelmente excitada e descontrolada. Foi levada diante do espelho e Madalena lhe apontou, meticulosamente, as marcas que fizera. Tinha sangue nas costas e nos seios. Então, numa reação bem espontânea, a vítima dirigiu-se à sua soberana e, comovidamente, agradeceu o que ela acabara de lhe proporcionar. As duas se abraçaram e juntaram suas bocas num beijo demorado e apaixonado, cada uma sentindo o grande amor que as unia. Voltaram abraçadas para a cama, trocaram carícias e, finalmente, uma introduziu-se entre as coxas da outra, buscando o contato estreito entre suas vaginas. Faziam movimentos de grande suavidade, e Ângela sentiu o clitóris da amante penetrando-a, fazendo dela uma fêmea autêntica. Aquele roçado magnífico conduziu Ângela a um orgasmo indescritível, só realizado pelo verdadeiro amor. Seguiu-se o orgasmo da rainha, imenso, que inundou sua amante de ternura. Nesta noite, elas dormiram enlaçadas, a cabeça loura apoiada nos seios negros. Completara-se a iniciação de Ângela.