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Conto de Uma Escrava Fugitiva

Sentia-se feliz, já durava alguns anos a sua fuga. Livre, podia caminhar para onde quisesse; pensar e falar sem nada temer. Neste dia, inesperadamente um desconhecido lhe pede informações; responde. Então, ele pede gentilmente que ela lhe conduza até o caminho certo. Prontamente, ela segue até uma curva com ele e então, vem a surpresa. Sentiu que fortes braços a agarravam, vendada, imobilizada, resistiu o que pode, mas se viu rendida. Foi levada não sabia onde, o corpo exalava medo. Previa. Deixada só em lugar alguém que conhecia sem nada ver, temeu o pior. De repente, a venda que lhe cegava foi arrancada. Um susto imenso. Diante de si, estava o Dono de quem fugira. Tentou uma desesperada fuga, foi agarrada, imobilizada e colocada à ferros. Um choro desesperado, misto de medo e culpa lhe invadiu. A hora de pagar pelo seu grave erro havia chegado. Em seu rosto, começou a explodir tapas. Uma voz grave e pausada lhe dizia: - Sabes o que me fez? Tem noção da gravidade de tua falta? Não tinha voz para responder, ela era toda medo e pranto. Sim, era a resposta que teimava em não ecoar. Mas, tinha seus motivos, queria conhecer o mundo, queria mais do que aquela senzala, queria tudo o que sonhava. Ele obviamente jamais entenderia fora espoliado de seu bem, traído em sua confiança. Ela então se resignou e preparou-se para o que estaria por vir. De novo, aquela voz calma e atroz ecoou no ar: - Sabes o castigo à tua traição? Quando teve coragem para olhá-Lo viu em sua mão uma adaga; sentiu o frio da morte. Resignou-se, só teve forças para se ajoelhar mansamente aos pés Dele e, esperar o golpe fatal. - Levanta. Dou-te a vida e lhe acorrento alma e corpo. Agarrada pelo cabelo, foi arremessada a um catre próximo. Foi despida. Nada via, só sentiu em seu corpo, o vibrar de uma chibata impiedosa. O corpo foi completa e violentamente atingido por várias vezes. Quanto mais aumentava a dor, aumentava nela, o sentimento da redenção. Pagava pelos seus erros, não cabia recurso ou apelação. Ninguém a salvaria. Alguns minutos torturantes se passaram e a chibata silencia. Acabou. Não. Sente seu corpo sendo aberto, a mão Dele a invadia. Todos os caminhos de seu corpo foram sendo explorados e abertos, gemia. Não havia para si, nenhum gesto de misericórdia. A chibata veio novamente insaciável. Ela gritava de dor. Sentiu que não ia agüentar mais por muito tempo. De novo uma a pausa assustadora. Agora, sentia entrando dentro de si, o membro de seu Dono; vinha lascivo tomando posse do que era Seu por direito. Vinha também sem piedade alguma. Misturavam-se os sentimentos, ela sentido-se confusa, não sabia o que acontecia. Explodiu orgástica. Todo o seu corpo agora, relaxava. Mãos a agarraram fortemente pelos seios. - De quem és escrava vadia? Uma resposta, a pouca voz: - Sou Tua, Dono de mim. - Hoje, perdoei-te o erro, poupando sua vida. Amanhã terás a marca incandescente que testemunhará para sempre teu erro e, a quem pertences. Ela, estática de pavor, soltou um grito. Ele, completamente feliz, sorria.